Resenha de "Eu acho que amo você"

Deliciosamente divertida e cativante. Comecei a leitura sem expectativas e me deparei com uma história adorável, que além de nos apresentar situações e problemas do cotidiano, também soube lidar muito bem com um tema que faz ou já fez parte de nossas vidas: o amor platônico por algum artista.
"Não muito tempo depois daquela foto, meu amor por David iria recuar como a maré. Logo depois ficaria envergonhada em admitir que um dia gostei dele, assim como, por um curto período, fiquei com vergonha do meu violoncelo. [...] Entretanto, ainda era grata a David, sempre seria, só não sabia disso naquela época. Por estar comigo quando ninguém mais estava; por dar voz a sentimentos que mal haviam nascido; por me ajudar a crescer, o que é muito, muito difícil de se fazer. Por me dar um garoto para amar, que jamais me magoaria, mesmo que fosse apenas porque ele nunca me amaria de volta."
Em meados de 1974 no País de Gales, Petra Williams era uma adolescente de 13 anos, dentre muitas outras, apaixonada por David Cassidy. Ela e sua melhor amiga Sharon colecionavam pôsteres, CDs, revistas, enfim, tudo relacionado ao ídolo pop e sonhavam em um dia poder conhecê-lo. 

Enquanto isso em Londres, Bill, um recém graduado em literatura de 22 anos, escrevia para a revista Tudo sobre David Cassidy - fingindo ser o próprio David. Ele odiava o trabalho e o ídolo pop, é claro, mas odiava ainda mais a histeria e a paixão de suas leitoras; não entendendo como se poderia amar e venerar alguém que elas sequer conheciam de verdade. 

Foi naquele mesmo ano que a turnê do astro pop passou pela Inglaterra e, como divulgação, a revista, na qual Bill trabalhava, fez um concurso que levaria uma garota e um acompanhante para conhecer o David Cassidy nos estúdios da Família Dó-Ré-Mi. E, afinal, quem seria mais qualificado para concorrer e ganhar o concurso do que Petra e Sharon?

24 anos se passaram. Agora, Petra é uma mulher de 37 anos, enfrentando um doloroso divórcio e com uma filha adolescente. Após a morte de sua mãe, ela retorna ao País de Gales para o enterro e ao limpar a casa de seus pais, se depara com algo que mudaria sua vida: uma carta que a parabeniza por ter ganhado o concurso para conhecer o David Cassidy! 

Em um momento de loucura, Pet liga para a editora da antiga revista que promoveu o concurso e pede avidamente para que ela e sua amiga possam reaver seu prêmio. Felizmente seu pedido é atendido e a loucura torna-se realidade. Acompanhadas por Bill, novo editor chefe da editora, e com tudo pago, elas vão para Las Vegas para, finalmente, realizarem àquele antigo sonho da adolescência.
"Petra faz uma careta; ela consegue aguentar qualquer coisa: olhos ruins, tempo ruim, marido ruim, mas música ruim ela jamais seria capaz de suportar."
Eu acho que amo você foi ganhando espaço no meu coração aos poucos e, no fim, tornou-se um de meus favoritos. É uma leitura fluída e gostosa, especialmente por nos aproximar tanto da história e das personagens - afinal, quem nunca foi louquinha(o) por alguém famoso? Eu, por exemplo, nunca fui fanática, mas já tive meus amores platônicos - que foram desde atores e príncipes até jogadores de futebol e cantores (no momento, estou na fase "apaixonada por personagens", rs).

Fiquei bem intrigada ao saber que a autora utilizou um ídolo e situações reais para abordar o assunto (vale ressaltar que, na década de 70, ela mesma o adorava!), juntando o real e o fictício de forma única e envolvente. O show na Inglaterra que virou uma grande tragédia e jornalistas, no caso o Bill, se passarem pelo próprio David são as duas situações mais marcantes que aconteceram e foram descritas no livro, porém com suas devidas modificações.

As personagens são "gente como a gente", o que colaborou para tornar tudo ainda mais crível. Elas cometem erros e gafes, já foram fúteis e chatas em certos momentos (na fase teen), ficaram frustradas com a vida ou alguma decisão, tiveram problemas com a mãe ou marido ou filha adolescente, trabalham arduamente, têm amigos para a vida toda e tentam, mesmo que inconscientemente, encontrar o amor. Pearson as caracterizou física e emocionalmente com excelência.

Pet é simples, mas possui um brilho fluorescente. Depois de crescer com uma mãe terrivelmente horrível, ela pensou que encontraria consolo em um casamento feliz, porém, seu marido é igualmente horrível, que além de traí-la e impossibilitá-la de seguir sua carreira como violoncelista, ainda insiste em colocar a filha contra a mãe. Ela foi uma adolescente intensa e em constante procura por espaço: encontrando uma relação verdadeira apenas com o pai e a melhor amiga, Sharon; já na fase adulta, ela é uma mulher frustrada e decepcionada, mas há algo em comum em ambos os momentos de sua vida: ela nunca desistia, sempre tentando encontrar a felicidade e se reerguer.

Sharon é tão extraordinariamente engraçada que eu tive uma crise de riso no ônibus enquanto lia o livro; ela é a melhor amiga do mundo, daquelas que nem o tempo ou a distância conseguem separar, resumindo, é uma figura e duvido que você também não se apaixone por ela. Bill é lindo, inteligente, sarcástico, muito sincero e divertido; por mais que no início ele já fosse adulto, podemos notar um grande amadurecimento no decorrer da história, além do esperado e justo sucesso profissional. Outras personagens incríveis são a colega de trabalho da Pet, que dava ótimos conselhos, e a antiga chefe do Bill, que era tough but fair. Cada personagem tem a sua peculiaridade, alguns irão irritar horrores, enquanto outros irão fazer você se apaixonar.

O livro é dividido em quatro partes: prólogo, parte 1, parte 2 e o epílogo (que contém uma entrevista que a autora fez com o David Cassisy). A parte 1 se passa em 1974 e é narrada em primeira e terceira pessoa alternadamente - ora é a Pet adolescente que narra a história, ora sabemos mais sobre a vida do Bill. Já a parte 2 se passa em 1998 e é inteiramente narrada em terceira pessoa. Esta mistura de narrativas foi novidade para mim, mas de forma alguma me deixou confusa no decorrer da leitura e deu muito certo.

Vale muito a pena ler! O final é super fofo e romântico, me deixou com lágrimas nos olhos, e a autora representou muito bem o universo e o sentimento de muitas fãs. Fiquei apaixonada pela capa e, felizmente, não me lembro de ter encontrado erros na revisão. Quer ganhar um exemplar de Eu acho que amo você? Clique aqui e participe!
  • Escrito por Allison Pearson.
  • Editora Rocco.
  • Tradução: Rosana Watson.
  • 399 páginas.
  • Disponível em todas as livrarias.
  • Recomendo! :)
*Exemplar para resenha.

12 comentários:

  1. Oi Rafa! que livro perfeito. Adorei, a história parece ser muito legal. E ainda passado na década de 70, louco para ler... A capa é linda

    Bjs

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  2. Aiii, já adorei! Confesso que fiquei com um pé meio atrás na hora em que você disse que elas ganham o concurso, mas o fato delas só irem mesmo já depois de adultas é um diferencial tremendo! Tipo, nada de adolescente tapadas! Já fiquei com vontade de ler.

    Adorei, vou participar da promoção!

    Beijitos

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  3. Adoro livros que falam sobre histórias que aconteceram em décadas passadas, e ainda por cima romances. Achei bem interessante a proposta do livro, uma mulher que encontra seu ídolo de adolescência 24 anos depois. Creio que todo jovem já se apaixonou por algum famoso, eu, por exemplo, sou apaixonada por vários, hahaha.
    Amei! Beijos!

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  4. Oie Rafinha
    OMG, eu não dava nada por este livro. Adoro livros que mesclam a vida real com a ficção, e ainda mais aqueles que falam sobre bandas, cantores e fãs. Quem nunca sonhou em conhecer o ídolo de pertinho? Certeza que vou dar surtadinhas básicas durante a leitura.
    bjos
    www.mybooklit.com

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  5. Adoro quando uma leitura que começa sem expectativas se transforma em uma bela história, esse livro parece ser super divertido, pela sua resenha os personagens são bem construídos e envolventes.

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  6. Olá, Rafa.
    Fiquei ainda mais louco pra ler depois da resenha.
    Já andei pesquisando sobre o livro e agora... Bom, agora tenho duas opções: Ganhar a promoção ou Comprar!
    Mas de uma coisa eu sei: Eu vou ler*
    Parabéns pela resenha. Como sempre me encantou pela imparcialidade, durante a explicação da história, e um ponto de individualidade em momentos sutis.

    Eu amo isso!
    Beijos.

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  7. Eu não conhecia este livro, parece mesmo ser interessante. Vou ver mais informações sobre ele.
    Bjs, Rose.

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  8. Oi Rafa!
    Pela resenha, achei o enredo muito fofo e interessante, essa possibilidade de reviver na idade adulta um momento adolescente, sob uma nova perspectiva é bem intrigante. Gostei =)
    Beijos... Elis Culceag. * Arquivo Passional *

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  9. Oi, Rafa!

    Linda resenha! Adoro isso de amor platônico por personagens de livros, filmes e cantores e atores. Sou apaixonada por um bocado, e o bom do negócio é que, realmente, eles nunca nos machucarão porque não têm ideia da admiração que temos por eles. E quando têm e nos respondem, ficamos tão radiantes que não sabemos o que dizer, no caso de nosso autor favorito falar conosco, ou o ator que interpreta aquele personagem tipo Mark Darcy dos tempos de hoje. HAHAHAHA :D
    Recentemente, meu amor é o Augustus. Quem não ia querer alguém que lhe dissesse okay como declaração de amor e ainda: Você parece com a Natalie Portman.?
    Sonhamos o tempo todo, é uma coisa fantástica. *-* Amei a história, parece ser envolvente! Beijos!

    litteraturamundi.blogspot.com

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  10. A capa é linda e o título também.
    Não tenho preconceito algum desse livro parecer voltado ao público feminino; o que importa é a história ser boa e envolver o leitor.
    Seria uma leitura agradável essa, mesmo eu já estando longe da adolescência e não ter nenhum fanatismo do tipo amoroso por nenhum famoso - mentira, sou louco pela atriz Jena Malone hehehehe

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  11. livro maravilhoso,quero muito ganhar e começar a ler

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  12. OLá!
    esse livro parece ser tãão bom ^^ Amo histórias, assim, que de tão reais a gente se identifica e se emociona. Acho que um verdadeiro escritor é o que tem essa capacidade.
    Bjss
    sete-viidas.blogspot.com

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