Resenha de "O Bicho-da-Seda", detetive Cormoran Strike #2

O caminho que Rowling - ops, Galbraith - trilhou pelo romance policial é pleno de sutilezas, críticas, grandes reviravoltas, suspeitos sem fim e mentes insanas. Em suma, um prato cheio para os amantes do gênero - salvo um ou outro detalhe.
"Precisava, pensou Strike, chegar mais perto, o suficiente para agitar as pessoas cuja vida já fora ridicularizada e distorcida por Owen Quine."
O detetive Cormoran Strike tornou-se altamente requisitado e famoso desde o caso da modelo Lula Landry. Todavia, os clientes não variam, pois são sempre os mesmos homens e mulheres ricos com amantes e problemas conjugais. Até que Leonora Quine, uma mulher mandona de meia-idade, aparece repentinamente em seu escritório e pede à ele que encontre e traga seu marido de volta.

O marido é o escritor Owen Quine, revoltado e excêntrico, que frequentemente desaparece para escrever, fugir da rotina ou ficar com a amante. Porém, dessa vez, ele está fora de casa por mais tempo do que o normal e parece que sumiu do mapa. Apesar de não ter garantia se haverá ou não pagamento e de sua cliente ser bem difícil de lidar, Strike não consegue parar de pensar no caso Quine, visto que não investiga um desaparecimento há muito tempo.

Assim que a investigação é iniciada, Strike e Robin percebem que quanto mais se aprofundam no caso, mais suspeitos aparecem. Afinal, o autor acabara de finalizar um manuscrito que retratava as pessoas de seu círculo social e familiar de forma extremamente maldosa e sórdida. A publicação do tal romance foi impedida, mas ainda assim, todos que foram mencionados no livro tiveram acesso à ele e agora, estão revoltados e envergonhados.

Quando Owen Quine é encontrado brutalmente assassinado, em uma espécie de ritual macabro e ironicamente familiar, Strike começa uma corrida contra o tempo para resolver os enigmas - sem fim - desse caso e encontrar a mente doentia que planejou a morte do escritor. Está claro que foi uma vingança, mas quem seria capaz de realizar algo tão terrível?
"Intuição, é como chamavam, mas Strike sabia que seria a leitura de sinais sutis, a ligação subconsciente dos pontinhos. Um quadro claro do assassino surgia da massa de evidências desconexas, e a imagem era intensa e apavorante: um caso de obsessão, de fúria violenta, de uma mente calculista, talentosa, mas profundamente perturbada."
Com narrativa em terceira pessoa e uma busca incansável pelo culpado, O Bicho-da-Seda traz à tona todos os elementos clássicos do gênero: tramas bem amarradas, suspeitos variados, pistas - falsas, por vezes - que vão se encaixando gradualmente no quebra-cabeça, investigações, depoimentos e detalhes sutis que, às vezes, passam despercebidos.

Apreciei a quantidade de suspeitos, pois tornou a história mais instigante e frenética. Ao longo da narrativa, eliminei alguns, mas, no fim, ainda sobraram três suspeitos e, felizmente, um deles era o culpado - acertei parcialmente, ponto para mim. Dessa vez, o detetive demorou mais para encontrar provas e elaborar algumas hipóteses, visto que o caso era bem confuso e todos pareciam prováveis assassinos. Mesmo quando Strike resolve o enigma, a identidade do culpado continua sendo um mistério para o leitor, que apenas desvenda tudo nos últimos capítulos.

Adoro romances policiais e gostaria de escrever que amei o livro por inteiro; porém, achei a cena em que o mistério foi revelado muito rápida e levemente surreal, pois não consegui sentir firmeza ou verossimilhança durante a leitura. Em outras palavras, a cena não me envolveu completamente ou da forma que eu esperava. Apesar dos fatos, motivos e provas expostos fazerem sentido, faltou detalhar de forma mais clara e objetiva como o detetive chegou à tais conclusões. A história é realmente boa, mas pedia mais calma no momento de expor detalhes e explicações.

O ápice da história foi o desenvolvimento dos personagens. Cormoran Strike continua sendo um anti herói encantador. Porém, dessa vez, tanto o seu passado como sua mente foram mais esmiuçados e o leitor pode adentrar em seus sentimentos; afinal, ele ainda está tentando superar a separação de Charlotte, sua ex noiva egocêntrica, e com isso, mostra um lado mais amargurado e tristonho.

Robin Ellacott merece destaque! Ela é uma mulher forte, inteligente, determinada e incrível, firme em suas decisões e que enfrenta com a cabeça erguida - e algumas lágrimas - seus problemas. Além de muito paciente, pois seu noivo Matthew foi bem irritante e nada compreensível ao longo da história. Também gostei bastante de Al e Dave Polworth, meio-irmão e amigo mais antigo de Strike respectivamente, Leonora (apesar da chatice ocasional), de sua filha Orlando e da amiga / vizinha Edna.

Outro ponto positivo foram os locais citados, a descrição foi feita de forma panorâmica, dando ao leitor vários detalhes fantásticos e a sensação de já ter estado lá pessoalmente. Ser ambientado em Londres - e nos arredores - foi um charme à mais e eu adorei. Algo que não me agradou foi o romance escrito por Quine, pois fiquei enojada e chocada conforme ele era contado, mas no fim, tive uma surpresa positiva e que me deixou aliviada com relação ao tal manuscrito.

Gostei bastante da decisão de manter a capa igual ao do original; além disso, tanto a revisão quanto a diagramação foram bem feitas. Lembrando que não é necessário ter lido O Chamado do Cuco antes, apesar de dar ao leitor uma familiaridade maior com os personagens. O final do livro é ótimo, me deixou com um sorriso no rosto e ansiosa por mais aventuras - que venha o próximo. Em suma, O Bicho-da-Seda traz personagens absurdamente carismáticos e bem construídos; por outro lado, a história em si pecou em alguns aspectos, mas ainda assim, vale a pena ser lido! Afinal, foi bem escrito e tem uma dupla de investigadores maravilhosos.
  • Escrito por Robert Galbraith - pseudônimo de J.K. Rowling.
  • Editora Rocco.
  • Tradução: Ryta Vinagre.
  • 463 páginas.
  • Leiam também: O Chamado do Cuco (link).
  • Disponível em todas as livrarias.
  • Recomendo, meus caros. :)
*Exemplar para resenha.

12 comentários:

  1. Esse livro me chama muito a atenção e você afirmando que a trama é bem amarrada, a vontade de ler aumenta. Se tem vários suspeitos, melhor ainda. Adoro tentar descobrir quem é o culpado. rs
    Excelente resenha.

    M&N | Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista de março. Você escolhe o livro que quer ganhar!

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    1. Oi :)

      Eu também adoro tentar adivinhar quem é o culpado, rs.
      Obrigada!

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  2. Não sei se lerei esse livro. Me decepcionei bastante com o anterior. E um dos motivos foi justamente o que você citou na resenha. Achei o final bem sem graça. Esperava alguma reviravolta, mas não aconteceu. Se conseguir emprestado talvez eu leia, mas comprar não vou.

    Blog Prefácio

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    1. Oi, Sil :)

      Apesar de ter gostado do primeiro, esperava mais. Acho que ela ainda está "pegando o jeito" dos romances policiais. Porém, o segundo foi melhor do que o anterior.

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  3. Oie,
    já tinha ouvido falar deste livro, mas ele não faz muito meu estilo. Talvez eu leia, mas não compraria.

    bjos
    http://blog.vanessasueroz.com.br

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  4. Oi, Rafa!
    Eu gosto do gênero, mas os dois livros da Rowling publicados sob o pseudônimo me passam a sensação de serem cansativos. Não sei, posso estar enganado, mas a maioria das opiniões que li sugeriam isso.
    Adoro a escrita dela e apenas li a saga de HP. No entanto, tenho curiosidade em ler essa "série".
    Adorei saber sua opinião. Sei bem como é se sentir frustrado com determinado esclarecimento e conclusão.
    Abraço!

    "Palavras ao Vento..."
    www.leandro-de-lira.com

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    1. Oi, Leandro!

      Algumas partes são cansativas mesmo, mas isso não prejudica a leitura. :)

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  5. Oi Rafa!
    Eu gosto muito desse aspecto "todos são suspeitos" dos livros de Galbraith e para mim o desfecho foi completamente inesperado. Eu tinha algumas teorias e, assim como você, estava certa sobre algumas coisas, mas ainda assim fui bastante surpreendida.
    A única coisa que aponto como falha é a lentidão em alguns momentos. Mas esse não parece ter sido um problema para você, né?
    Beijos
    alemdacontracapa.blogspot.com

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  6. Oie Rafa
    eu amo o gênero policial, e já estava quase desistindo de ler algo da J.K com esse pseudônimo. Mas aí vem sua resenha, e me instiga justamente na parte onde fala que temos muitos suspeitos para brincar de detetive durante a leitura. Já tô caçando o livro no site pra comprar rs
    bjos
    www.mybooklit.com

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  7. Oi
    Eu adoro livros policiais, cheios de suspense e mistério, do tipo, vamos desvendar esse quebra-cabeça e descobrir quem matou, mas também não curto finais rápidos, gosto quando explicam bem o que aconteceu.
    Estou super curiosa pra ler os livros dela e ontem mesmo estava pesquisando preços do O Chamado do Cuco :) Em breve vou comprar os dois. Adorei a sua resenha ;)
    Beijinhos
    Renata
    Escuta Essa

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    1. Ah, acho que você irá gostar, Renata! :)

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  8. Ultimamente estou muito apaixonada por séries policiais e quero ampliar isso para o lado das leituras, e acho que a melhor opção atualmente seria o Robert/ J K.
    E essa coisa de descobrir o culpado eu adoro, principalmente com vários suspeitos!

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